sexta-feira, 6 de maio de 2011

O Paradoxo da Fotografia Digital em Preto e Branco

Parte 1 – A estética PB, origem e características.

Ivan de Almeida
Por vezes paramos a ler alguns dos muitos textos que pululam no espaço virtual.  Alguns têm a nossa anuência, outros nem tanto e ainda outros accionam o nosso processo criador. Foi o que aconteceu com o texto apresentado no endereço

http://fotografiaempalavras.wordpress.com/2010/11/02/o-paradoxo-da-fotografia-digital-em-preto-e-branco-parte-1/#comment-581

e que originou o elaborar de alguns considerandos que aqui deixo expressos.


Na minha busca sobre o pensamento ao redor do discurso estético do "Preto&branco" encontrei este valioso documento que titula "O Paradoxo da Fotografia Digital em Preto e Branco" e que com agrado li e reli. Interessante o prisma da abordagem, interessantes os comentários expressos. A "discussão" entre PB e Cor e o filme X ou Y sempre me deixou um pouco baralhado. Aí puxo pelas minhas "certezas", a utilização de um suporte deve ter em conta o resultado final desejado e assim é que fotografando desde muito jovem, 37 anos se passaram, não abandonei a utilização de suportes clássicos com o alvorecer da Fotografia Digital e nem fugi da utilização de sistemas digitais. E é nos sistemas digitais que surge a grande controvérsia. E tudo porque a massificação do consumo de um qualquer sistema digital abriu espaço à democratização da fotografia. Já não era o "fotografe que nós fazemos o resto" mas sim, fotografe e faça o resto. Ora é aqui que surge a questão, alargando-se o consumo da produção de imagens fotográficas, surgiu um mar imenso de atitudes perante a fotografia. E um deles resulta no entusiasmo com que alguns partem ao encontro dessa tradição a preto e branco. Pois se durante décadas a vox-populis referia "Fotografia é a Preto e Branco" e aí contesto. Fotografia como elemento observado é um elemento que permite olhar um determinado momento já passado. Assim surge a primeira razão, Luz e a sua necessidade para vizualizar a recolha e posteriormente o recolhido. " A Fotografia É O Percurso Da Luz No Tempo" e aí surge a segunda razão, Tempo. A partir destes pressupostos todos os discursos são possíveis e estarão de braço dado com o autor. O formato, o enquadramento, o reenquadramento, a cor ou o preto e branco e todas as opções de densidades e contrastes que lhes estão associados. Mas se sempre assim foi. No preto e branco usamos os filtros de cor para variar os contrastes e os diferentes contrastes de papel. Hoje um programa de tratamento digital propõe uma panóplia de propostas de trabalho que mais não são que os diferentes caminhos outrora seguidos.
Mas, regressando à questão base. A fotografia a Preto&Branco com sistemas digitais.
Sim é facto que a recolha no sensor é feita pela recolha de cor. Mas um Fotógrafo que Faz Fotografia, quando Faz Pensa e aí toma opções. Eu próprio quando estou a Pensar a Preto&Branco não consigo trabalhar que não seja na opção monocromática do "software" da câmara. Quando trabalho a cores terei as opções respectivas de acordo com o pretendido. E sei que a foto é recolhida a cores (ficheiro RAW) e se p Preto&Branco não me agradar tenho sempre a opção Cor. Pois é inversão de pensamento. E entre a cor e o preto&branco a opção de criação está ligada às características do autor. Ele deve saber o valor dos diferentes discursos, cor ou preto&branco, sendo a cor a leitura visual do humano e a que pode estar ligada a percepção sensorial bem como as questões discursivas do signo e seu significado. O Branco que veste a noite resultará sempre no discurso da pureza ou virgindade quer a fotografia seja monocromática ou a cores, já o vermelho da capa do toureiro ganhará diferente impacto na opção entre cor e preto e branco.

Pensado a Preto e Branco



Trabalhada sobre a cor


Julgo não restarem dúvidas quanto à caracterização do autor perante a opção que orienta a linha de produção do mesmo. Aquilo que para ele é uma imagem vulgar (fotografia a cores) ganha uma expressão completamente diferente com a recolha efectuada no seu "pensando" a preto e branco.


1 comentário:

Ivan de Almeida disse...

António, não há melhor recompensa para quem escreve do que a escrita gerar um outro processo em outra pessoa, com novos pensamentos.

Esse tema da fotografia em PB, após a digital fica absolutamente caracterado como uma escolha. Isto é fantástico porque dewsnuda a necessidade -não há necessidade alguma, há uma intenção. Essa intenção tornada clara ajuda à compreensão da fotografia ser uma construção tanto quanto -ou mais que- uma captura.

Grande abraço, e obrigado,
Ivan